SP Rocknation reúne gerações em tarde de heavy metal no CCJ Cachoeirinha
- William Sousa
- 29 de mar.
- 6 min de leitura
O SP Rocknation voltou à zona norte com clima de encontro marcado no Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso (CCJ Cachoeirinha), confirmando o espaço como ponto ativo de circulação do rock na Zona Norte de São Paulo. Com o sucesso da transmissão ao vivo pela rádio Kiss FM — desta vez registrando mais de 7 mil visualizações, maior número entre todas as edições já transmitidas do SP Rocknation — o evento ampliou ainda mais o alcance de uma programação que foi além do palco: mais uma realização idealizada pela Associação Consciência Cultural, com apoio da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo e da Prefeitura da Cidade de São Paulo, reforçando um projeto que não apenas promove shows, mas também investe na formação e capacitação das próprias bandas como agentes empreendedores da cena — fortalecendo de forma concreta a cultura do rock na cidade.
MotorRockBR
Abrindo mais uma vez a programação desta edição do SP Rocknation, a MotorRockBr apresentou um repertório com referências conhecidas do rock que seguem presentes na memória do público.
Um dos momentos de maior reação da platéia veio com a execução de "Love Gun" na versão do Stone Sour, que contou com a participação de César Augusto (Peer & Inumanos) e Fernando Sinfronio (Kalango HC), presenças recorrentes em todas as edições do SP Rocknation, para reforçar os backing vocals e demonstrar o caráter coletivo e de celebração da performance, aproximando ainda mais o público do palco logo no início da programação.
Na sequência, a banda percorreu o set centrado em hits rock dos anos 90 e 2000, passando pelo grunge de"Would?" do Alice In Chains, pelo metal alternativo em "Aerials" do System of a Down e pelo hard rock de rádio com "All My Life", do Foo Fighters, entregando um ótimo entretenimento para quem chegou cedo ao CCJ Cachoeirinha.

Just Heroes
Presente novamente na programação do SP Rocknation, a Just Heroes subiu ao palco do CCJ Cachoeirinha com a formação em quinteto e abriu a apresentação com “Heroes”, conduzida com segurança e precisão já conhecidas do público que acompanha a banda. O alcance vocal de Mr. Machine se destacou logo na abertura, enquanto a dobradinha de guitarras ao lado do baixo marcou presença nos momentos instrumentais, com os três músicos alinhados à frente do palco nos solos, reforçando o caráter performático da apresentação desde os primeiros minutos.
Finalizando “Heroes”, a banda emendou “War Pigs”, do Black Sabbath sem pausa entre os dois sons. Executada com duas guitarras, a releitura ganhou mais corpo ao vivo e levantou a galera já nos primeiros momentos da apresentação.
Mais adiante, após destacar a presença do baterista Marcus Castellani, ex-integrante do Manowar, a banda executou “Metal Warriors”, clássico do grupo norte-americano, antes de seguir para “Breaking the Law”, do Judas Priest, daqueles momentos em que o coro do público aparece naturalmente, marcando o encerramento do grande show da Just Heroes na programação.


Viper
Representando um dos nomes que ajudaram a pavimentar o heavy metal no Brasil e reconhecida também fora do país, o Viper subiu ao palco do CCJ Cachoeirinha reafirmando uma trajetória iniciada em 1985, consolidando-se ao longo do tempo como um verdadeiro produto de exportação do metal brasileiro. A banda conduziu uma apresentação que percorreu diferentes fases da discografia, com clássicos como “Under the Sun”, “To Live Again”, “A Cry from the Edge”, “Dead Light”, “Evolution”, “Coma Rage” e “Timeless”.
Um dos momentos mais marcantes veio em “Spreading Soul”, acompanhada por uma homenagem dupla a André Matos e Pit Passarell, que já foram pilares do Viper e lendas do metal nacional, com imagens dos dois exibidas no telão, criando um dos trechos mais emocionantes da apresentação no CCJ Cachoeirinha.
Na parte final do set, “Prelude to Oblivion” e “Coming from the Inside” encaminharam o encerramento antes de “Living for the Night”, cantada em coro pela plateia e responsável por fechar o espetáculo do Viper na tarde.


Atakhama
Formada por músicos experientes com passagens por grandes palcos dentro e fora do país, a Atakhama apresentou no SP Rocknation um projeto recente que vem sendo bem recebido pelo público nas apresentações ao vivo e também nas plataformas digitais. A formação contou com Raphael Mattos na guitarra, Vlad Melander no baixo e Fabio Buitvidas na bateria, liderados pelo vocalista Eric Galdyanz.
O show teve início com “Make Believe”, trazendo logo de cara o peso e a precisão das guitarras de Raphael Mattos, enquanto Eric apresentou um vocal técnico, potente e seguro, conduzindo a abertura com naturalidade e controle mesmo nas passagens mais exigentes do repertório.
Com praticamente todo o setlist centrado no álbum de estreia Time, lançado em novembro de 2025, a banda apresentou no palco uma sonoridade equilibrada entre peso, melodia e elementos sinfônicos. Músicas como “Still the Shame” e “No Longer a Blind” evidenciaram essa identidade madura dos músicos, com execução segura, intensidade do heavy metal clássico bem dosado e forte presença de palco ao longo do espetáculo.
Encaminhando o encerramento da participação da banda nesta edição do SP Rocknation, “Chains” preparou o terreno para “Time”, que fechou o show com intensidade e precisão, coroando uma apresentação consistente e confirmando a força do projeto ao vivo.
A bagagem internacional dos integrantes contribui diretamente para essa sonoridade sólida e madura, que vem consolidando a Atakhama junto ao público.


Edu Falaschi
Um dos nomes mais importantes do heavy metal brasileiro nas últimas décadas, Edu Falaschi subiu ao palco do SP Rocknation trazendo consigo uma trajetória marcada por reconhecimento internacional, composições que atravessaram gerações de fãs e uma presença constante na consolidação do metal nacional no exterior. Conhecido especialmente por sua passagem pelo Angra e pelos trabalhos à frente do Almah e de sua carreira solo, o vocalista construiu uma identidade artística sólida, tornando-se referência técnica e interpretativa dentro do power metal e do heavy metal melódico produzido no país.
Para sua participação nesta edição do SP Rocknation, Edu Falaschi apresentou o projeto Rock Classics, em que revisita grandes clássicos do rock e do heavy metal internacional. Apresentando um repertório conhecido do público e em arranjos pensados para valorizar sua extensão vocal e experiência interpretativa, o show se construiu como um encontro entre diferentes gerações de fãs e canções que ajudaram a formar a base do metal.
O set percorreu diferentes momentos marcantes da história do rock e do heavy metal, começando com "Jump", do Van Halen, que abriu a apresentação em clima imediato de celebração, seguida pelo peso de "Crazy Train" e "Bark at the Moon", de Ozzy Osbourne. A sequência manteve a intensidade com "Two Minutes to Midnight" do Iron Maiden e a energia contagiante de Highway to Hell, do AC /DC, antes de alcançar um dos pontos altos da noite com "Enter Sandman" do Metallica. No encerramento do clássicos, Run to the Hills, reforçou o clima coletivo entre público e palco.
No grande momento da apresentação, "Rebirth" trouxe o que o público aguardava ansiosamente, um grande clássico associado à trajetória de Edu Falaschi com o Angra.
A excelente execução do hit, sustentada pelo alto nível técnico da banda, foi acompanhada em coro do início ao fim pela plateia, encerrando a apresentação com uma clara sensação de missão cumprida.


Chegando ao fim um SP Rocknation no palco do CCJ Cachoeirinha, a edição destacou-se pela presença de diferentes gerações de público ao longo de uma tarde dedicada ao heavy metal, com pais acompanhados de seus filhos, dividindo o espaço com fãs que acompanham a trajetória de nomes como o Viper desde os anos 80 e ao lado de jovens que agora renovam a cena e passam a escrever seus próprios capítulos nessa trajetória.
A dimensão alcançada pelo SP Rocknation também se reflete na força de sua programação, capaz de reunir bandas emergentes como a Just Heroes, presente desde o início do projeto e nas palestras de capacitação da Associação Consciência Cultural, a Atakhama, que desponta como um nova banda de projeção internacional e que apoia as iniciativas da associação e ainda um nome consagrado do metal nacional e internacional como Edu Falaschi.
O SP Rocknation reafirma o seu papel como espaço de formação, circulação e continuidade da cena rock e metal na cidade de São Paulo.
Resenha por: William Nascimento
Associação Consciência Cultural




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