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SP Rocknation lota a Casa de Cultura do Butantã e confirma a força da nova safra do rock nacional

Atualizado: 2 de mai.


A edição do SP Rocknation na Casa de Cultura do Butantã reafirmou a força do rock dentro dos equipamentos públicos de cultura da cidade. Com público numeroso, bandas já reconhecidas pela plateia e diversidade de estilos no palco, o festival mostrou na prática como a presença da produção autoral independente nas Casas de Cultura amplia a circulação artística e fortalece a relação entre território, artistas e público. Outro ponto importante foi a transmissão ao vivo pelo canal da Associação Consciência Cultural no YouTube, ampliando o alcance do evento e registrando mais um capítulo dessa construção coletiva que consolida o SP Rocknation como espaço permanente de visibilidade para bandas emergentes. 




Rockfun Legends


A apresentação da Rockfun Legends teve um tempero especial com a participação da talentosíssima Cyz Mendes, (Plutão Já Foi Planeta) que simplesmente tomou conta do palco. Voz firme, presença segura e interpretação cheia de personalidade, um daqueles momentos em que o público percebe rápido que está vendo algo acima da média. 


 O setlist veio muito bem construído e funcionou como um mergulho direto no rock alternativo e no metal dos anos 2000, com destaques como “Bring Me to Life” (Evanescence), “Decode” (Paramore) e “Last Resort” (Papa Roach), músicas que seguem fortes entre o público mais jovem e provocaram reação imediata na pista, com a galera cantando junto, levantando os braços e batendo cabeça. 


A coroação do espetáculo veio com a execução de “Killing in the Name”, do Rage Against the Machine, e aí não teve meio-termo: virou catarse coletiva. Desde os primeiros riffs já dava pra sentir a plateia reagindo diferente e quando entrou o refrão o público simplesmente assumiu o vocal junto, transformando a Casa de Cultura do Butantã num coro pesado e pulsante. Foi aquele tipo de momento clássico de show em que banda e público deixam de estar separados e passam a empurrar a música juntos, elevando a energia do evento lá em cima e marcando um dos pontos mais explosivos dessa edição do SP Rocknation


Spotify



Sujera


Diretamente da Zona Leste representando com força a tradição do hardcore paulistano, o Sujera subiu ao palco e mostrou por que já é um nome respeitado na cena. Com uma trajetória marcada por letras críticas e apresentações sempre intensas, a banda carrega aquele espírito clássico do hardcore que não pede licença e chega ocupando espaço. A formação contou com Marcel Serra (vocais), Pedro Eduardo (vocais), Thiago Rosa (bateria), Felipe Rodrigues (baixo) e Claudinei Ferreira (guitarra).


O Sujera chegou ao SP Rocknation ao som de Carmina Burana e já despejou o peso da apresentação com "2000 & Caos" e "Boom Biddy Bye Bye". Os vocais avassaladores de Pedro Eduardo e Marcel fizeram surgir o primeiro stage dive e o mosh já tomou forma logo no início do set.


Outro momento que incendiou a apresentação foi a rima pesada de Marcel Serra sobre a base de "Sad But True", do Metallica. O riff inconfundível veio como chamado imediato à reação da plateia, com cabeças balançando e a roda crescendo novamente.


Em "Original de Vila", encerrando a apresentação, teve roda de mosh só para as minas. No final do som, Marcel chamou quem gosta de rap nacional e emendou duas estrofes de "Capítulo 4 Versículo 3", dos Racionais MC’s, apoiado por uma bateria insana e guitarras pesadas, com parte da galera cantando junto no microfone na beira do palco.


Coube ao Sujera um papel decisivo na dinâmica do SP Rocknation: segurar o público dentro da casa já desde o início do festival. Com um show intenso e de forte identificação com a plateia, a banda manteve a Casa de Cultura do Butantã cheia e em movimento para a sequência da programação.




AXTY


O quarteto paulista de metalcore AXTY, reconhecida com um dos grandes nomes do metalore brasileiro, subiu ao palco trazendo a combinação já conhecida entre peso extremo e refrões melódicos. Transitando entre elementos do metalcore, deathcore e influências do djent, a banda apresentou uma execução segura e intensa, sustentada por breakdowns pesados, pedais duplos violentos e uma base instrumental precisa ao longo de todo o set.


A formação contou com Felipe Hervoso nos vocais, Jonathas Peschiera na guitarra, Beatriz Parisi como baixista de turnê e Gabriel Vacari na bateria. A banda passou por diferentes momentos de sua discografia com destaque para faixas do álbum Hannya (2024), além de Unbreakable (2023), mostrando uma sequência de músicas que manteve o público conectado do início ao fim, indo dos trechos mais emocionais até breakdowns especialmente pesados.


Em "Take Me Down", a alternância entre peso e melodia funcionou com ótima resposta da plateia, preparando o terreno para momentos de participação coletiva ao longo do repertório. Já em "Helpless", o refrão aparece como um dos pontos mais cantados do set, com público acompanhando do início ao fim.


Ao longo da apresentação, Felipe impressionou pela versatilidade vocal, alternando com naturalidade entre vocais limpos nas passagens melódicas e guturais graves e rasgados nos trechos mais pesados.


Um dos momentos mais marcantes veio com "What I’ve Become", quando o peso da execução abriu rodas de mosh enquanto, nas partes melódicas, lanternas de celulares surgiram entre o público acompanhando a condução emocional de Felipe.


Durante todo o set ficou evidente a forte conexão da banda com o público mais jovem presente no SP Rocknation, com rodas de mosh constantes e refrões acompanhados em coro. Foi uma pedrada sonora que ajudou a manter a Casa de Cultura do Butantã em movimento e deixou a engrenagem do festival funcionando a todo vapor.


No palco do SP Rocknation, a presença do AXTY mostrou como a nova safra do metal paulista chega com identidade própria e técnica, sem perder o vínculo com o circuito independente.




ODEON


Encerrando a programação do SP Rocknation, a Odeon subiu ao palco com a responsabilidade de fechar a noite mantendo a energia da Casa de Cultura do Butantã  e diante de a casa ainda cheia e atenta ao repertório da banda. 


A Odeon é formada por Marcelo Braga nos vocais, Lucas Cândido Moscardini (“Mosca”) na guitarra, Lucas Vinicius no baixo e  Luigi Pavarenti na bateria.


Representando uma das propostas mais híbridas da nova geração do “core” paulista, a Odeon encerrou o SP Rocknation no palco da Casa de Cultura do Butantã com uma sonoridade marcada pela mistura entre metal moderno, elementos de pop atual e influências eletrônicas, construindo um repertório que alcança diferentes públicos dentro do circuito alternativo. Formada por músicos com trajetória anterior consolidada na cena instrumental e progressiva, a banda apresentou um set variado e bem estruturado, ampliando o espectro sonoro do SP Rocknation.


Na apresentação de “Toxic”, som que combina metal moderno, elementos eletrônicos e refrão pop de forte impacto, a banda contou com a participação especial de Wina (Marina Milesi) dividindo os vocais com Marcelo. Com presença empolgante e muita energia no palco, ela deu ainda mais brilho à execução e ganhou rapidamente a resposta da platéia.


Em "Hostage", que inclusive foi gravada em estúdio com a AXTY, a música começa com uma levada próxima do trap e depois abre espaço para um refrão rapidamente reconhecido pelo público, enquanto os breakdowns de Marcelo Braga traz peso e mantém a roda em movimento durante a execução .


"Game", grande hit pop punk da banda, levantou a galera, com guitarra marcante de 'Mosca', elementos de trap e cantada em português, o que facilitou o coro dos fãs junto no palco. Na parte final do som Lucas Vinicius desceu com o baixo na galera e manteve a execução cercado pelo público, com a roda girando ao redor dele, para encerrar o grande espetáculo da Odeon sob muitos gritos e aplausos.



A programação do SP Rocknation reuniu um público expressivo na Casa de Cultura do Butantã. Além da presença marcante do público ao longo de toda a programação, a transmissão ao vivo realizada pelo canal da Associação no YouTube ampliou o alcance do evento, permitindo que o festival também fosse acompanhado por espectadores fora do local e reforçando o compromisso com a difusão e valorização da produção autoral independente.



Resenha por William Nascimento

Associação Consciência Cultural

 
 
 

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