Blues, metal e punk dividem palco na Casa de Cultura Raul Seixas
- William Sousa
- 18 de jun.
- 3 min de leitura
O Festival Consciência Cultural, realizado na Casa de Cultura Raul Seixas, reforçou a proposta da Associação Consciência Cultural de ampliar os espaços para bandas autorais e emergentes dentro da cidade de São Paulo. Com apoio da Prefeitura de São Paulo, o Festival é gratuito e ocupou um espaço privilegiado da Zona Leste: uma casa de cultura cercada por área verde e com características de parque público, criando um ambiente aberto, acessível e bastante convidativo para o público.
A Guitar Legends reuniu músicos experientes em um repertório voltado aos grandes clássicos do heavy metal e hard rock. A formação contou com Kleber K Shima e Rene Sanches nas guitarras, Fernando Porto na bateria, Vlad Carvalho no baixo e participação especial de Leandro Caçoilo nos vocais. O setlist passou por clássicos como Balls to the Wall, The Spirit of Radio, Electric Eye, 2 Minutes to Midnight, Battery, Bark at the Moon e Right Now.
Entre os destaques, “Battery” apareceu como uma verdadeira pedrada ao vivo, elevando a intensidade da apresentação e mostrando o peso que a banda consegue alcançar no palco. E em “Bark at the Moon”, com solos espetaculares de Kleber K Shima, reforçou aquela verdade que dificilmente falha em show de rock: tocar Ozzy Osbourne sempre garante uma resposta imediata do público.
A abertura das apresentações autorais ficou por conta do Pepe e os Estranhos, com a formação: Pepe Bueno (Baixista), Xande Saraiva (Guitarrista), Nila Rorato (Vocalista), Paulo Resende (Baterista) e Rafael Garcia (Guitarrista).
A banda entregou um rock/blues carregado de energia e personalidade, com destaque para as guitarras muito bem trabalhadas, backing vocals marcantes de Nila e uma pegada que alternava peso e feeling com naturalidade. Entre os destaques do repertório estavam as faixas “O Blues e a Prancha” e "Diablues" que agitaram o público e marcaram a ótima apresentação da banda.
Na sequência, a Tremendvz, banda idealizada e fundada por Luiz Gustavo ( artisticamente conhecido como Sumo Sacerdote do Armagedom), que também é o baterista, vocalista e letrista da banda, trouxe um contraste forte ao subir ao palco caracterizados como figuras medievais, criando uma identidade visual de sonoridade extrema. O grupo apresentou um set voltado ao seu primeiro EP, conduzindo o público por um som death e black metal com guturais bem encaixados. Um dos elementos que mais chamou atenção foi o fato do vocal principal ser executado pelo próprio baterista, adicionando ainda mais impacto à apresentação.
Representando o punk rock mais direto e engajado, a Tumultos Urbanos levou ao palco letras e discursos voltados às causas sociais. Um dos momentos de maior destaque foi a execução da música “Amo Você”, recebida de forma bastante positiva pelo público. A banda também realizou um minuto de silêncio em manifestação contra o feminicídio, criando um momento de reflexão em meio à intensidade do festival.
Fechando as apresentações autorais, a Subexistência manteve a linha crítica e politizada do punk rock, trazendo discursos contra misoginia e machismo durante sua apresentação. Além do repertório próprio, a banda executou um cover de "Career Opportunities", do The Clash, reforçando a conexão com a tradição mais contestadora do gênero e encerrando o festival com forte participação do público.
Do rock/blues passando pelo punk e pelo metal, o Festival Consciência Cultural mostrou a força, diversidade e a união das bandas associadas à Associação Consciência Cultural, que, com o apoio da Prefeitura de São Paulo, vem movimentando a cena independente e fortalecendo a valorização da música autoral paulistana.
Conheça mais sobre as bandas:
Resenha por: William Nascimento
Associação Consciência Cultural




Comentários