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Primeira edição do SP Rocknation do ano reúne diferentes gerações do rock nacional e reafirma força da cena emergente

A primeira edição do ano do SP Rocknation marcou o retorno do projeto em grande estilo, reunindo bandas de diferentes vertentes do rock nacional em um evento que reforça a importância da cena emergente dentro da programação cultural da cidade de São Paulo. Realizado na Casa de Cultura do Itaim Paulista, o festival manteve uma característica que já vem se consolidando nas últimas edições: a proposta de criar um espaço onde diferentes estilos e gerações do rock possam dividir o mesmo palco.


Mais do que apenas uma sequência de shows, o SP Rocknation já se firmou como uma plataforma de circulação para bandas da cena brasileira, oferecendo estrutura profissional e visibilidade dentro de um circuito que historicamente sempre precisou lutar por espaços. A presença de estilos variados — que vão do rock clássico ao hardcore moderno — mostra também a intenção do projeto de alcançar diferentes públicos, mantendo o espírito do rock como um movimento plural.


Outro ponto que fortalece ainda mais o alcance do festival é a continuidade da transmissão pela Kiss FM, uma das rádios mais tradicionais dedicadas ao rock no Brasil. Essa parceria amplia o alcance do evento para além do público presente no local, levando o som das bandas participantes para ouvintes de toda a cidade.



Rock Fun Legends abre a tarde celebrando os clássicos do rock e do metal


A abertura do evento ficou nas mãos da Rockfun Legends, projeto dedicado a revisitar grandes clássicos do rock e do metal. O repertório foi estruturado como um passeio por diferentes momentos marcantes da história do rock.


A Rockfun Legends sempre convida ao palco músicos experientes da cena rock e metal. Nessa primeira edição de 2026, o convidado especial foi Leandro Caçoilo, um dos mais versáteis e renomados vocalistas do cenário musical brasileiro, vocalista da lendária banda de heavy metal Viper.


A abertura do set trouxe duas faixas da virada dos anos 2000 associadas a retornos marcantes no rock: “The Wicker Man”, que marcou a volta de Bruce Dickinson ao Iron Maiden, e “Psycho Circus”, registrando o reencontro da formação original do Kiss em estúdio pela primeira vez desde 1979 ( ao menos formalmente nos créditos do álbum).


Na sequência vieram três pilares da “santa trindade” do rock setentista — “Paranoid”, do Black Sabbath, “Highway Star”, do Deep Purple, e “Immigrant Song”, do Led Zeppelin — com Leandro Caçoilo mostrando toda sua técnica vocal e versatilidade ao transitar entre três escolas do rock pesado; Alexandre Fabbri tirando com autoridade os solos imortais desses clássicos; Gui Figueiredo na bateria despejando viradas que fizeram as baquetas sofrerem e João Bustamante no baixo, performático, agitando o palco e chamando a galera.


Na reta final do show vieram dois clássicos do Whitesnake — “Love Ain’t No Stranger” e “Still of the Night”. O encerramento ficou por conta de “Run to the Hills”, do Iron Maiden, para deleite e aplausos do público.


Rockfun Legends





Laboratori traduz a força da cena hardcore paulistana no palco


Depois da homenagem aos clássicos do rock, foi a vez da Laboratori assumir o palco e trazer seu hardcore pesado com influências de metal, rap e letras que retratam o cotidiano urbano. A banda, que já está na estrada há mais de uma década, conta em sua formação atual com Chili no vocal, Wecko na guitarra, Mateus Marcatto no baixo e Jean Forrer na bateria.


Quando a Laboratori subiu ao palco, a linha de frente do mosh já estava formada. Bastaram os primeiros acordes para que o espaço diante do palco virasse território do hardcore dancing. A partir dali — e praticamente até o final da edição SP Rocknation — a movimentação não parou mais: socos no ar, giros, chutes e os passos rápidos do two-step transformaram a Casa de Cultura Itaim Paulista em um verdadeiro campo de batalha do hardcore.


As letras da Laboratori abordam temas como desigualdade social, resistência e cotidiano das ruas. Um bom exemplo no set foi “Fé no corre em tempos ruins” que surgiu como um ataque rápido e direto, daqueles típicos do hardcore que passam voando mas deixam a pista em ebulição. A execução acelerada manteve a intensidade do show no alto e empurrou o mosh ainda mais, com a galera respondendo na mesma energia banda no palco.


Outro momento forte do set veio com “Bonde dos Falador”que trouxe um recado direto para quem critica e julga sem conhecer a realidade alheia. Chili dispara os versos em alta velocidade, com a bateria estalando atrás e a banda avançando junto, empurrando a pista ainda mais.


O encerramento veio com “Respeite”, recebida como um verdadeiro manifesto da Laboratori. Cantada com força pelo público, a música fechou a apresentação consolidando tudo que havia acontecido ao longo do show: peso, atitude e uma pista em constante movimento, confirmando a passagem da banda pelo SP Rocknation como um dos momentos de maior agitação no domingo.


Laboratori





Bullet Bane confirma no palco sua força no rock alternativo nacional



Sobe ao palco agora a Bullet Bane, banda de rock alternativo formada em meados de 2009, agora com nova formação, após troca recente de vocalista e baterista. O grupo agora conta com Lucas Guerra (vocal) e Andrew Lee (bateria), juntando-se aos membros remanescentes Danilo Souza (guitarra), Fernando Uehara (guitarra) e Rafael Goldin (baixo).


A banda construiu seu nome dentro da cena independente brasileira misturando hardcore melódico, punk e rock alternativo, sempre apostando em refrões fortes e letras que falam de conflitos pessoais, inquietações e experiências da juventude. Ao longo da última década o grupo ganhou projeção nacional, tocando em festivais importantes e lançando discos que ampliaram bastante seu público.


Bullet Bane mostrou exatamente porque conquistou esse reconhecimento. Em “Gangorra”, a performance foi marcada por intensidade, variações de andamento e forte presença de palco, com guitarras alternando peso e melodias mais trabalhadas enquanto a base sustentava o ritmo. A música reflete sobre altos e baixos e conflitos internos e com versos que falam de mudança, entrega e continuidade.


Já em “Cura”, o clima mudou e trouxe uma resposta mais emocional da plateia. O público acompanhou com mais atenção e participação, criando um momento de maior conexão, com vozes se somando em alguns trechos e dando outro peso à apresentação.


"Sentir” veio na sequência como um dos pontos mais marcantes do show, com a galera cantando junto e tomando conta da frente do palco. A música ajudou a fechar a apresentação com clima coletivo e com o público acompanhando do começo ao fim.


A apresentação da Bullet Bane mostrou uma banda confortável em transitar entre diferentes propostas, mantendo o público envolvido mesmo com mudanças de dinâmica, reforçando a conexão que a banda conseguiu construir ao longo dos anos com fãs da cena alternativa e do hardcore moderno.


Bullet Bane





Kill For Nothing mantém o peso e amplia a diversidade sonora do SP Rocknation


Depois da passagem pelo hardcore e pelo rock alternativo, o palco recebeu o peso do nu metal com a Kill For Nothing. O quarteto paulistano formado por Alessandro “Bob” nos vocais, Mandy Delphino na guitarra, Gustavo Soares no baixo e Yuri Alexander na bateria, trouxe ao SP Rocknation um repertório marcado por riffs pesados e dissonantes.


Boa parte do repertório veio do álbum M.I.R.A.G.E., lançado em setembro de 2025 e a Kill For Nothing abriu o set com “Booting New God”. O som carrega a atmosfera pesada do nu metal e evidencia a força da banda ao vivo, enquanto a letra mergulha na ideia de falsos deuses tecnológicos e na relação cada vez mais dependente entre humanos e máquinas. Mesmo com a mudança de estilo, a galera do hardcore abraçou o som da Kill For Nothing e mais adiante o som "Ambiguilty” segurou a pressão com timbres densos e sem dar respiro, o que manteve o mosh intenso na frente do palco.


O momento mais marcante veio com “If I Could”. A música começou em clima mais melódico e cadenciado, com Mandy assumindo os vocais enquanto Bob observava a cena da plateia. De repente, o peso entrou de vez na parte da música em que Bob surgiu gritando os versos do meio do público, surpreendendo e levando o mosh a mais um pico de intensidade.


Ainda deu tempo da Kill For Nothing levantar a galera com a releitura de “Ratamahatta”, do Sepultura. Assim que o público reconheceu a música, a reação foi imediata: o mosh deu lugar a um coro coletivo, com a galera avançando para o microfone e cantando os versos iniciais junto com Bob e tomando conta da frente do palco.


Com riffs pesados e totla domíniio de palco, a Kill For Nothing apresentou uma sonoridade agressiva e entregou um show que manteve a pista em movimento, reforçando a pluralidade de estilos presentes no SP Rocknation.


Kill For Nothing




Bayside Kings encerra a noite com explosão de hardcore e entrega total do público


Para encerrar a noite, quem tomou conta do palco foi a Bayside Kings. Veterana da cena hardcore brasileira e formada em Santos, a banda é conhecida por sua mistura explosiva de hardcore, metal, punk e rap, sempre conduzida por letras que abordam realidade urbana, resistência e superação. Com anos de estrada e presença constante em festivais dentro e fora do país, o grupo chegou ao SP Rocknation trazendo a energia característica que transformou a frente do palco em mais um capítulo intenso do evento.


Formada por Milton Aguiar nos vocais, David Gonzales na bateria, Emanuel Figueira no baixo e Matheus Santacruz na guitarra, a Bayside Kings já conquistou um espaço sólido dentro do hardcore brasileiro.


Milton já subiu no palco chamando a galera para frente e iniciou os trabalhos com “A Consequência da Verdade”, som que chega impondo ritmo e puxando o público no grito. A faixa carrega uma mensagem de confronto e questionamento, batendo de frente com a zona de conforto e colocando todo mundo pra responder junto, o que fez a galera colar desde os primeiros segundos.


Na sequência, “(Des)Obedecer” manteve o som pesado e refrão feito para ser gritado junto. A música reforça a ideia de não aceitar imposições e bater de frente com o que é imposto, e isso se refletiu na pista, com o público respondendo forte e mantendo o mosh ativo.


Mais adiante em “Nada Pra Mim” a banda mostrou por que é considerada uma das forças do hardcore nacional e levou ao palco um hardcore rápido e furioso com  refrão marcante. A letra carrega uma ideia de ruptura, de cortar laços e seguir sem olhar para trás, e isso apareceu na pista com a galera gritando junto e mantendo a intensidade sem cair.


A apresentação da Bayside Kings funcionou como um fechamento catártico para o SP Rocknation, com a plateia respondendo de imediato e transformando o espaço em uma grande celebração em torno da música pesada. Desde os primeiros momentos, Milton manteve presença firme no palco, chamando o público e puxando a participação o tempo todo.


A interação com a pista foi um dos pontos mais fortes do show, algo essencial dentro do hardcore e que apareceu de forma natural ao longo da apresentação. No fim, a Bayside Kings transformou a Casa de Cultura Itaim Paulista em um verdadeiro epicentro do hardcore dentro do SP Rocknation.


Bayside Kings





Ao final da noite, ficou claro que o SP Rocknation já está consolidado dentro da agenda cultural da cidade de São Paulo. Ao reunir bandas de diferentes estilos e trajetórias em um mesmo palco, o evento contribui para fortalecer a circulação da música emergente ampliar a visibilidade de artistas da cena nacional.


A diversidade do line-up mostrou que o rock continua sendo um universo amplo, capaz de reunir desde fãs de clássicos do metal até públicos ligados às vertentes mais modernas do hardcore e do rock alternativo.


Com a Casa de Cultura do Itaim Paulista lotada, apresentações insanas das bandas e uma pista marcada por moshes e hardcore dancing o evento inteiro e com a grande parceria de  transmissão ao vivo pela Rádio Kiss FM, a primeira edição do ano reafirma o potencial do festival como uma plataforma de valorização da cena rock brasileira.


Se depender da energia vista nesta noite no Itaim Paulista, a temporada do SP Rocknation promete continuar entregando momentos marcantes para fãs e bandas que mantêm viva a chama do rock.


Resenha por William Nascimento

Associação Consciência Cultural



 
 
 

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