Energia e diversidade sonora dominam o Festival Consciência Cultural em Santo Amaro.
- William Sousa
- 6 de abr.
- 4 min de leitura
No dia 21 de março de 2026, o Centro Cultural Santo Amaro recebeu mais uma edição do Festival Consciência Cultural, reunindo bandas da Associação Consciência Cultural em uma programação marcada pela diversidade sonora do rock autoral. Sem hierarquias de palco, o evento apresentou ao público diferentes propostas musicais presentes dentro da própria associação, com shows que passaram pelo rock progressivo, hard rock, hardcore e rock nacional com elementos de MPB.
SWAP
Formada por Ider (bateria), Jbass (baixo), Doni (vocal e teclados), Klinger (guitarra) e Edu (guitarra), a Swap apresentou uma sonoridade marcada pela combinação entre hard rock e rock progressivo, com passagens melódicas muito bem conduzidas por teclados e solos de guitarras bem elaborados ao longo do repertório. A banda construiu uma apresentação equilibrada entre técnica e musicalidade, explorando arranjos bem definidos e referências do rock clássico sem abrir mão da sua identidade autoral.
Em “Renegado”, homenagem direta ao espírito do motociclismo, o baixo de Jbass conduz a introdução antes da entrada das guitarras de Klinger, enquanto versos como “Eu não sou daqui, eu não sou de lá” e “Horizonte desbrava” reforçam a ideia de estrada e movimento.
Já em “Passado, Presente e Futuro”, o teclado de Doni surge imponente na abertura, seguido pela bateria e pelas guitarras preenchendo o palco, depois uma virada para um trecho mais direto do rock and roll, com destaque também para os solos alternados entre guitarra e teclado.
Em “Há Dias”, o clima mais melódico, sustentado por teclado orquestral e os solos de Klinger com timbres limpos e técnicos que em vários momentos remeteram à escola clássica do hard rock setentista, com sonoridade que vai do Deep Purple ao Pink Floyd. Chamou atenção ainda a segurança do jovem Edu, segundo guitarrista, de apenas 18 anos, que tomou a frente do solo e encerrou o som com categoria.


S.E.M. SOM EFEITO MORAL
Com influências de metal e hardcore punk e apresentação de muita energia, vem na sequência a banda S.E.M - Som Efeito Moral, formada em 2022 e composta por Tunda na guitarra, Rafael Lima na bateria, Mofia no baixo e Tchelo, nos vocais.
Em “Clássico Sagrado”, que aborda a guerra no Oriente Médio, o peso da banda aparece com destaque para a guitarra thrash do Tunda impulsionada pelo vocal agressivo e visceral de Tchelo.
Já “Família Sofrida” traz um rock pesado com muito groove, hardcore e letra focada em som de protesto e conscientização, cantando o cotidiano da realidade de quem vive nas periferias de grandes metrópoles, como a cidade de São Paulo.
“Desistir Jamais” finaliza o grande show, com participação especial de Wágner, vocalista da banda Adrenaustera, formando um duo de vocais poderoso, com o metal do Tchelo e o hardcore do Wagner, finalizando com muito peso a apresentação do S.E.M.


JULIO MANO
Julio Cesar Rodrigues Silveira Mano, o Julio Mano, é o artista condutor do Julio Mano e os Vagalumes Elétricos, assumindo não apenas o protagonismo no palco, mas também o papel de compositor e articulador da identidade musical do projeto, com referências à brasilidade com tom crítico e bem-humorado.
Para este espetáculo, trouxe ao palco do Festival Consciência Cultural sete músicos talentosos que destilaram elegância e habilidade nos teclados, percussão, baixo, bateria, guitarra e backing vocals, formando uma base consistente que ampliou a força estética e sonora da apresentação.
A apresentação teve início com "Luz", música que já estabelece a identidade musical do projeto: mistura rock e música popular brasileira com forte caráter narrativo.
No set está "Pobre Chavinho", composição premiada com o terceiro lugar no 33º Festival Universitário da Canção (FUC) da Universidade Estadual de Ponta Grossa, uma das tradicionais vitrines da produção autoral independente. A música, que sintetiza bem a marca de Julio Mano, ganhou ainda mais corpo com o apoio dos arranjos coletivos da banda, ampliando o impacto emocional da canção.
O espetáculo caminhou para um de seus pontos altos com "Fios de Baiano", momento aguardado pelo público e tradicional nos espetáculos do projeto. Além do solo de guitarra executado por Julio Mano, todos os integrantes da banda foram apresentandos, cada um com espaço para uma breve demonstração de sua habilidade e técnica, entretendo e arrancando aplausos da platéia.


REEXISTA
Responsável por encerrar a programação do evento, sobe ao palco a banda Reexista, formada em 2023 por músicos experientes do rock nacional, com formação em trio com Renato 77 (voz e baixo), Guilherme Goto (guitarra) e Fabrício Tavares (bateria). Com influências que atravessam o punk rock, o hardcore melódico e o grunge, a banda apresenta um repertório autoral centrado em temas como resistência emocional, recomeço e enfrentamento das tensões do cotidiano.
Entre os destaques da apresentação, “E o que Passou”, música de divulgação do álbum homônimo da banda, trouxe uma mensagem sobre seguir em frente e se reinventar. A canção apresenta estrutura mais melódica, com guitarras que conduzem a canção dentro de uma sonoridade próxima do rock nacional dos anos 1990.
"Não Olhe Para Trás” manteve a energia da apresentação em alta, com duas guitarras bem presentes e forte influência do grunge na construção da sonoridade, caindo no gosto do público e arrancando aplausos.
Reexista fechou a grande apresentação com “Se Tudo Der Certo”, música que tem a pegada do hardcore melódico característica da banda e reforça a proposta do grupo de trabalhar temas ligados à continuidade e superação..


Com ótimas apresentações e propostas distintas entre si, o Festival Consciência Cultural reafirmou a importância de espaços como a Centro Cultural Santo Amaro na circulação das bandas emergentes, aproximando público e artistas em uma tarde marcada pela diversidade sonora e pelo trabalho coletivo construído pela Associação Consciência Cultural.
Resenha por: William Nascimento
Associação Consciência Cultural




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