SP Rocknation celebra um ano da Associação Consciência Cultural com edição histórica na Galeria Olido
- Joao BUSTAMANTE
- 17 de set. de 2025
- 4 min de leitura
Atualizado: 13 de out. de 2025
Johann Peer é Vocalista e Compositor da banda PEER & INUMANOS e jornalista sob n°65.158 MTB/SP
No último domingo, 14 de setembro, a Galeria Olido, no coração de São Paulo, foi palco de mais uma edição do SP ROCKNATION, evento que vem se consolidando como referência na cena do rock nacional autoral. A ocasião teve um peso ainda mais especial: a data de aniversário do saudoso e inesquecível André Mattos, vocalista das bandas Viper, Angra e Shaman, que se estivesse entre nós, faria 54 anos, bem como a celebração do primeiro aniversário da Associação Consciência Cultural, idealizada e coordenada por Fabrício Ravelli, que há um ano vem fomentando a música independente e abrindo espaço para novos talentos.
A programação reuniu nomes de destaque da cena emergente e consagrada do rock brasileiro, criando um mosaico sonoro que transitou entre o experimental, o alternativo, o pop rock, o metalcore e os clássicos internacionais.
Rock Fun Legends e a nostalgia do rock mundial
A abertura ficou por conta da Rock Fun Legends, que surpreendeu o público com um convidado especial: Leandro Caçoilo, vocalista do Viper. O repertório passeou por hinos imortais como Separate Ways (Journey), Run to the Hills (Iron Maiden), Bark at the Moon (Ozzy Osbourne), Still of the Night (Whitesnake) e Can’t Stop Lovin’ You (Van Halen). Um setlist nostálgico e vibrante, que incendiou a plateia logo nos primeiros acordes.
Peer & Inumanos: viagem sonora e participações especiais
Na sequência, subiu ao palco a banda Peer & Inumanos, liderada por Johann Peer (Voz e Composições),César Augusto (Baixo),Juliano PJ e Gabriel Sarmento (Guitarras) e Cê Ponto Camargo (Bateria) trazendo sua turnê Paulicéia e uma performance autoral marcada por poesia e energia urbana. Peer entrou no palco já impactando o público com uma maquiagem corpse paint, em versão zumbi, em alusão à sua música “Cidade Zumbi”, criando uma atmosfera sombria e teatral.
O setlist conduziu a plateia por diferentes vertentes do rock: “Paulicéia” abriu a apresentação, seguida por “Estultícia”, “CasaTorta” e “I Miss You Love”, transitando de riffs intensos a momentos mais introspectivos. A homenagem à música brasileira veio com “Eternidade (Tributo a Cássia Eller)”, e “As Cores do Som” explorou referências de rock, blues e experimentações sonoras.
O ápice da apresentação aconteceu em “Rock No Disco”, durante uma jam com participações especiais de Fabrício Ravelli, grande mentor do projeto SP Rocknation, Emanno ROCK Brabo, Marcos Cabellera e Kike Damasceno (Crazyland). A energia sonora criada no palco foi contagiante, com a performance de Ravelli na bateria simplesmente avassaladora, conduzindo e elevando toda a banda e o público em um momento de intensa interação.
A apresentação continuou com o clássico da banda, “Cidade Zumbi”, ainda com a participação de Gilberto de Sucesso e se encerrou com “Paulicéia”, revisitada com referências a Highway Star (Deep Purple) e Satisfaction (Rolling Stones), consolidando a atmosfera de celebração e fusão de influências.
3 Pipes Problem e a força do rock experimental
Na sequência, foi a vez da 3 Pipes Problem mostrar seu som alternativo e experimental, marcado por influências de Faith No More, Nirvana, Titãs e Legião Urbana. O destaque ficou para a faixa Answers, produzida em Los Angeles por Darryl Swann, vencedor do Grammy, presente no EP Elephant in The Room. No palco, Rafael Adami (vocal e guitarra), Jonathan Pieri (bateria), Bruno Dini (guitarra), André Castillo (baixo) e Luciano Gisondi (teclado) entregaram uma performance visceral, unindo peso, melodia e experimentação em faixas como After Sex, Ghosts e Silver Girls.
Zimbra: poesia e melodia em alta voltagem
Representando o pop rock com alma alternativa, a banda santista Zimbra trouxe ao público canções marcantes como Leve, Breve, Amanhã, Viva e Já sei. A formação — Rafael Costa (Bola) (vocal e guitarra), Vitor Fernandes (guitarra), Guilherme Goes (baixo) e Pedro Furtado (bateria) — mostrou porque a banda é uma das mais queridas da nova geração, combinando letras poéticas com arranjos melódicos e cadências que ficaram na memória do público.
Rock Star Club: fusão de estilos e energia de palco
Entre os representantes da cena autoral, a Rock Star Club subiu ao palco para apresentar faixas do álbum Pouso. Liderada pelo carismático Tor Sakata, a banda trouxe o peso e a versatilidade de composições como Olha Quem Chegou, Tudo que Ela Gosta, Recomeçar, Mulher de Escorpião e Máscara. Com Guilherme Góes (baixo) retornando a banda, Igor Nogueira e Rafael Haze (guitarras) e Dilson Maia (bateria), o grupo mostrou uma sonoridade que mistura rock clássico, blues, country e hardcore, resultando em uma performance intensa e diversificada, fazendo o público presente delirar e dançar nas dependências do Teatro da Galeria Olido.
Aurora Rules encerra com intensidade e peso
O encerramento do festival ficou por conta da Aurora Rules, que trouxe de Goiânia para São Paulo o peso de seu metalcore e pós-hardcore. Fundada em 2008, a banda — formada por Yuri Lemes Carvalho (vocal), Lucas Rezende Barros (guitarra), Ezequiel Lino (guitarra), Felipe Borges (baixo) e Vitor de Castro (bateria) — entregou um show arrebatador com músicas como Som do Movimento, Parasitária, Calma Negativa, Falso Julgamento e Eu vou vencer. Combinando agressividade, introspecção e intensidade, a Aurora Rules levou o público ao êxtase, fechando a noite “com chave de ouro”.
Um marco para a cena independente
O SP ROCKNATION – edição especial de aniversário da Associação Consciência Cultural consolidou-se como um marco da cena independente, reunindo diferentes vertentes do rock em um só palco. Sob a liderança de Fabrício Ravelli, o evento reafirma a importância de abrir espaço para o rock autoral, fortalecendo a cultura e promovendo encontros que mesclam memória, inovação e resistência musical.




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