SP ROCKNATION 2025: A Zona Leste tremeu ao som do Classic Rock, Hardcore e Metal em um terremoto sonoro inesquecível.
- Joao BUSTAMANTE
- 1 de out. de 2025
- 4 min de leitura
Assinado por Johann Peer – jornalista (MTB/SP 65.158) e também vocalista da banda Peer & Inumanos –, o registro deste evento histórico traz o retrato de uma jornada musical que uniu gerações, estilos e sonoridades, reafirmando o poder transformador da música.
A Tiquatira, na Zona Leste de São Paulo, foi palco de uma verdadeira catarse coletiva no último domingo, quando milhares de fãs do rock e do metal se reuniram para mais uma edição do SP ROCKNATION. O festival, que já se consolidou como um dos mais importantes encontros da cena independente e underground da capital, transformou o Parque Tiquatira em um epicentro de energia, mosh pits e rodas de pogo, provando que São Paulo não é apenas a “capital do rock”, mas também uma verdadeira metrópole do metal.
RockFun Legends e Ciz Mendes:
Clássicos eternos em sintonia com o presente.

Abrindo os trabalhos pontualmente às 13h, a banda RockFun Legends incendiou o palco com a participação especial da cantora Ciz Mendes. O público vibrou com interpretações vigorosas de clássicos como “Fuel” (Metallica), “Toxicity” (System of a Down), “Ace of Spades” (Motorhead) e “Bring Me to Life” (Evanescence).
A performance reuniu técnica e carisma em doses certeiras, conduzida por músicos de excelência: Alexandre Fabbri (guitarra), João Bustamante da Névula (baixo) e Gui Drums (bateria). O público respondeu à altura, abrindo rodas, se jogando nos moshes e celebrando a música em um clima de paz e harmonia.
Mental Trigger: peso autoral e respeito às raízes

Na sequência, o Mental Trigger mostrou por que é um dos nomes promissores da nova cena. Estreantes no lendário Manifesto Bar em 2025, chegaram ao SP ROCKNATION com energia explosiva, apostando em músicas autorais que mesclam hardcore, metal e influências do rock pesado.
Caio Andrade (vocal), Renato Scarpin (baixo), Alex Piu (guitarra) e Davi Henrique (bateria) criaram uma conexão intensa com a plateia. Entre os destaques, uma releitura arrebatadora de Ozzy Osbourne no período Black Sabbath, além de composições próprias que arrancaram headbangs e aplausos entusiasmados.
Kalango HC: duas décadas de resistência e contundência lírica

Veterana da cena hardcore, a Kalango HC — ativa desde 2001 e vinda da Zona Norte — entregou um show visceral, repleto de crítica social e riffs poderosos. André Biello (vocal), Fernando (baixo), César Sinfrônio (guitarra) e Fábio Lopes (bateria) entoaram hinos como “Pedras e Flores” (2023), “Erros do Passado” e “Repressão Seletiva” (lançado na semana anterior).
O momento mais impactante veio com “Pela Paz”, marcada por riffs certeiros e um refrão coletivo que ecoava: “Pela guerra ou pela paz”. A canção contou com a participação de César Augusto, baixista da Peer & Inumanos, além de artistas convidados da cena de Osasco, ampliando ainda mais o peso da apresentação.
Worst: brutalidade e identidade inconfundível

O hardcore agressivo e a fúria metálica da Worst transformaram a Tiquatira em um campo de batalha sonora. Comandada pelo icônico Thiago Monstrinho (vocal), ao lado de Renato Romano (guitarra), Bruno Nicolozzi (baixo e backing vocal) e Fernando Schaffer (bateria e backing vocal), a banda mostrou porque está no topo da cena underground.
Entre guturais e riffs demolidores, o público respondeu com rodas violentas e coros em uníssono, especialmente em “Eu tenho ódio nessa p***a”, verdadeiro hino da banda. Foi uma apresentação que reafirmou a Worst como referência inconteste do hardcore e metal nacional.
Premiere: o diálogo entre o hip hop, o HC e o metal

Misturando o peso do new metal com a atitude do hardcore e pitadas de hip hop, a Premiere foi responsável por aquecer o entardecer no festival. João Ricardo (vocais, ostentando o visual da marca Mosh Street Wear), André (guitarra), Jack Denis (baixo) e Leo Panara (bateria) fizeram todos dançarem e se jogarem no mosh ao som de faixas como “Vai que vai” e “Tempo fechou”.
O ponto alto foi a versão explosiva de “Sabotage” dos Beastie Boys, que levou a galera ao delírio e preparou o terreno para a atração mais esperada da noite.
Krisiun: a consagração do death metal brasileiro

O ápice do SP ROCKNATION veio com o Krisiun, verdadeiro patrimônio do death metal extremo e considerado um dos três maiores expoentes do metal, ao lado de Sepultura e Angra.
Formado por Alex Camargo (baixo e vocal), Max Kolesne (bateria) e Moyses Kolesne (guitarra), o trio incendiou a Tiquatira com uma apresentação devastadora. Clássicos como “Combustion Inferno”, “The Will to Potency” e “Blood of Lions” fizeram o público enlouquecer em rodas incessantes, headbangs intermináveis e gritos guturais que ecoaram noite adentro.
A cada acorde, o Krisiun reafirmava sua longevidade e relevância internacional, provando que o death metal brasileiro não apenas resiste, mas se reinventa e se fortalece com o tempo.
A síntese: Um festival que fortalece a cena
O SP ROCKNATION provou mais uma vez sua força como plataforma da música pesada brasileira. Reunindo novos nomes, veteranos de respeito e gigantes consagrados, o evento fez da Zona Leste o epicentro do rock e do metal em São Paulo.
Mais do que um festival, foi uma celebração coletiva — de resistência cultural, de paixão incondicional pela música e da certeza de que, entre mosh pits e rodas de pogo, pulsa o coração indestrutível da cena underground brasileira.




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